O futebol costuma ser injusto. Nem sempre vence quem joga melhor. Quantas seleções encantaram o mundo e voltaram para casa sem a taça? Desta vez, porém, a história foi diferente.
A Espanha mereceu ser campeã.
Curiosamente, a caminhada começou cercada de dúvidas. Na estreia contra Cabo Verde, a seleção espanhola encontrou um goleiro inspirado, que parecia decidido a estragar a festa. Defesa atrás de defesa, o tempo passava e a impressão era de que aquela superioridade técnica não seria suficiente para vencer.
Foi ali que nasceu uma campeã.
Em vez de perder a confiança, a Espanha manteve sua identidade. Não abandonou seu estilo, não entrou em desespero e não trocou suas convicções pelo improviso. Persistiu. E, a partir daquele jogo, engrenou uma campanha praticamente impecável.
Cada partida confirmou o que a anterior já indicava: era uma equipe organizada, intensa, coletiva e tecnicamente refinada. Não dependia de um único craque para resolver. Dependia de um sistema de jogo que potencializava todos os seus jogadores.
Enquanto muitas seleções apostavam apenas no talento individual, a Espanha apostou na ideia de futebol. E ideias bem executadas costumam vencer.
Na final, diante de uma Argentina acostumada às grandes decisões, confirmou tudo o que havia construído durante o torneio. Não foi campeã apenas por um resultado. Foi campeã porque apresentou, do primeiro ao último jogo, o futebol mais consistente da Copa.
O título espanhol deixa uma mensagem que vai muito além da comemoração. No futebol moderno, organização, trabalho, planejamento e identidade continuam sendo ingredientes indispensáveis para quem sonha levantar uma taça.
O futebol nem sempre faz justiça.
Mas, quando faz, premia quem joga melhor.
E, desta vez, a justiça vestiu vermelho.
Opinião sem respeito vira ataque. Respeito sem opinião vira silêncio.